FundamentaçãodaMetafísicadosCostumes
ImmanuelKant
TraduçãodeAntônioPintodeCarvalho
CompanhiaEditoraNacional
PREFÁCIO
A
ANTIGA
filosofia grega repartia-se em três ciências: a
Física,
a
Ética
ea
Lógica.
.Esta
divisão está inteiramente de acordo com a natureza das coisas, nem temos que
introduzir-lhe qualquer espécie de aperfeiçoamento, a não ser acrescentar o princípio em
que ela se baseia, para que desse modo possamos, por um lado, possuir a certeza de ela
ser completa e, por outro lado, determinar com exatidão as subdivisões necessárias.
Todo conhecimento racional é ou
material
erefere-se a qualquer objeto, ou
formal
e
ocupa-se exclusivamente com a forma do entendimento e da razão, um e outro em si
mesmos considerados, e com as regras universais do pensamento em geral, sem
distinção de objetos. A filosofia formal denomina-se L
ÓGICA
,mas a filosofia material,
que trata de objetos determinados e das leis a que eles estão sujeitos, divide-se, por sua
vez, em duas, visto estas leis serem ou leis da
natureza
ou leis da
liberdade.
Aciência
das primeiras chama-se F
ÍSICA
;a das segundas, É
TICA
.Aquela dá-se também o nome de
Filosofia da natureza ou Filosofia natural; a esta, o de Filosofia dos costumes.
ALógica não pode comportar parte empírica, ouseja, parte na qual as leis universais
e.
necessárias do pensamento estribem em princípios tomados da experiência; de
contrário, não seria lógica, isto é, cânone do entendimento e da razão, válido para todo
pensamentoe capaz de ser demonstrado. Ao invés, tanto a Filosofia natural como a
Filosofia moral podem, cada uma, possuir uma parte empírica, pois devem aplicar suas
leis, aquela à natureza como a objeto da experiência, e esta à vontade humana enquanto
afetada pela natureza: leis, no primeiro, caso, em conformidade com as quais tudo
acontece; leis, no segundo caso, de acordo com as quais tudo deve (388) acontecer,
tomando todavia em consideração as condições, mercê das quais muitas vezes não
acontece o que deveria acontecer.
Pode-se denominar
empírica
toda filosofia que se apóiaem princípios da experiência; e
pura,
aque deriva suas doutrinas exclusivamente de princípios
apriori.
Esta, quando
simplesmente formal, chama-se
Lógica;
mas, se for circunscrita a determinados objetos
do entendimento, recebe onome de Metafísica.
Deste modo, surge a idéia de uma dupla metafísica: uma
Metafísica da natureza
euma
Metafísica dos costumes.
AFísica terá pois, além de sua parte empírica, uma parte
racional . Outrotanto sucede com a Ética; embora, aqui, a parte empírica possa
denominar-se particularmente
Antropologia prática,
ea parte racional receber o nome
de Moral.
Todas as indústrias, mesteres e artes lucraram com a divisão do trabalho. Devido a ela,
não é um só que faz todas as coisas, mas cada qual se circunscreve àquela tarefa
peculiar que, por seu modo de execução, se distingue sensivelmente das demais, a fim
de poder cumpri-la com o máximo de perfeição e de facilidade possível. Onde os
trabalhos não são assim divididos e discriminados, e cada artista tem de realizar tudo
por si, as indústrias permanecem numa fase de grande barbárie. Ora seria, por certo,
questão digna de ser examinada, perguntar se a filosofia pura não exige em todas as suas
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partes uni especialista que se lhe dedique exclusivamente, e se, para o conjunto desta
indústria que é a ciência, não seria preferível que os que estão habituados a apresentar,
conforme ao gosto do público, o empírico imiscuído com o racional, combinado em
toda a sorte de proporções que eles próprios desconhecem, que a si próprios se
qualificam de autênticos pensadores ao mesmo tempo que apodam de visionários os que
se ocupam da parte puramente racional, se não seria preferível, digo, que esses tais
fossem advertidos a que não se incumbissem simultaneamente de duas tarefas que
devem ser desempenhadas de maneira inteiramente diferente, cada uma das quais
reclama sem dúvida talento particular, e cuja reunião numa só pessoa conduz fatalmente
aproduzir obra imperfeita. Limito-me, entanto, aqui, a perguntar se a natureza da
ciência não exige que se separe sempre com sumo cuidado a parte empírica da parte
racional, que se faça preceder a Física propriamente dita (empírica) de uma Metafísica
da natureza, e a Antropologia prática de uma Metafísica dos costumes, as quais
Metafísicas deveriam ser cuidadosamente expurgadas de todo elemento (389) empírico,
com o intuito de saber tudo o que a razão pura pode fazer em ambos os casos e em que
mananciais ela haure esta sua doutrinação
apriori,
quer semelhante tarefa seja
empreendida portodos os moralistas (que não têm conto), quer somente por alguns que
para tal se sintam especialmente chamados.
Como aqui não tenho em vista senão propriamente a filosofia moral, limito a estes
termos a questão proposta: não seria de suma necessidade elaborar, de vez, uma
Filosofia moral. pura completamente expurgada de tudo quanto é empírico e pertence à
Antropologia? Que tal filosofia deva existir resulta manifestamente da idéia comum do
dever e das leis morais. Deve-se concordar que uma lei, para possuir valor moral, isto é,
para fundamentar uma obrigação, precisa de implicar em si uma absoluta necessidade;
requer, além disso, que o mandamento: "Não deves mentir" não seja válido somente
para os homens, deixando a outros seres racionais a faculdade de nãolhe ligarem
importância. O mesmo se diga das restantes morais propriamente ditas. Por conseguinte,
oprincípio da obrigação não deve ser aqui buscado na natureza do homem, nem nas
circunstâncias em que ele se encontra situado no mundo, mas
apriori.
só nos conceitos
da razão pura]; e qualquer outra prescrição, que estribe nos princípios da simples
experiência, mesmo que sob certos aspectos fosse prescrição universal, por pouco que
se apóieem razões empíricas, nem que seja por um motivo apenas, pode ser
denominada regra prática, nunca porém lei moral.
Pelo que, em todo conhecimento prático não só as leis morais, juntamente com seus
princípios, se distinguem essencialmente de tudo o que contém algum elemento
empírico, como também toda filosofia moral seapóia inteiramente em sua parte pura, e,
aplicada ao homem, não deduz coisa alguma do conhecimento do que este é
(Antropologia), senão que lhe confere, na medida em que ele é ser racional, leis
a
priori.
Sem dúvida tais leis exigem uma faculdade de julgar aguçada pela experiência,
capaz de, em parte, discernir em que casos elas são aplicáveis e, em parte, procurar-lhes
acesso à vontade humana e influência para a prática; porque o homem, sujeito como se
encontra a tantas inclinações, possui decerto capacidadepara conceber a idéia de uma
razão pura prática, mas não pode assim com facilidade Tornar essa idéia eficaz
in
concreto
em seu procedimento.
(390) Uma Metafísica dos costumes é pois rigorosamente necessária, não só por motivo
de necessidade da especulação, a fim de indagar a origem dos princípios práticos que
existem
apriori
em nossa razão, mas também porque a própria moralidade está sujeita a
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toda a espécie de perversões, enquanto carecer deste fio condutor e desta norma
suprema de sua exata apreciação.Com efeito, para que uma ação seja moralmente boa,
não basta que seja
conforme
com a lei moral; é preciso, além disso, que seja praticada
por causa
da mesma lei moral; de contrário, aquela conformidadee apenas muito
acidental e muito incerta, visto comoo princípio estranho à moral produzirá, sem
dúvida, de quando em quando, ações conformes com a lei, mas muitas vezes também
ações que lhe são contrárias -Ora, a lei moral em sua pureza e genuinidade (e
justamente é isto o que mais importa na prática) não deve ser buscada senão numa
Filosofia pura; donde, a necessidade de esta (a Metafísica) vir em primeiro lugar, pois
sem elanão pode haver filosofia moral. Nem a filosofia, que confunde princípios puros
com princípios práticos merece o nome de filosofia (pois esta distingue-se do
conhecimento racional comum, precisamente por expor numa ciência à parte o que este
conhecimento comum apreende apenas de modo confuso); merece menos ainda o nome
de filosofia moral, porque justamente devido a tal confusão prejudica a pureza da
moralidade e vai de encontro a seu próprio fim.
Não se pense todavia que o que se requer aqui se encontre já na propedêutica que o
ilustre W
OLFF
antepõe à sua filosofia moral, a saber na obra a que deu o título de
Filosofia prática universal,
eque, por conseguinte, não há campo inteiramente novo
que explorar. Precisamente porque essa propedêutica devia ser uma filosofia prática
universal, considerou ela, não uma vontade de qualquer espécie particular, como seria,
por exemplo, uma vontade determinada, não por motivos empíricos, mas só por
princípios
apriori,
eque pudesse ser denominada vontade pura, mas o querer em geral,
com todas as ações e condições que lhe convém dentro deste significado geral;
distingue-se pois da Metafísica dos costumes, do mesmo modo que a Lógica geral se
distingue da Filosofia transcendental: a Lógica geral expõe as operações e regras do
pensamento
em geral,
ao passo que a Filosofia transcendental expõe unicamente as
operações e regras particulares do pensamento
puro,
ou seja, do pensamento, por meio
do qual os objetos são conhecidos inteiramente
apriori.
Éque a Metafísica dos
costumes deve indagar a idéia e os princípios de uma vontade
pura
possível, e não as
ações e condições do humano querer em geral, as quais, em sua maioria, são tomadas
da Psicologia. O fato de na Filosofia prática geral se falar igualmente (391) (embora
sem razão) de leis morais e de dever não constitui objeção contra o que afirmo. Com
efeito, os autores dessa ciência permanecem fiéis, neste ponto, à idéia que dela formam;
não distinguem, entre os princípios de determinação, aqueles que, como tais, são
representados absolutamente a
priori
pela só razão e são propriamente morais, daqueles
que são empíricos, e que o entendimentoerige em conceitos gerais por um simples
confronto das experiências; consideram-nos, ao invés, sem atentarem na diferença de
suas origens, apenas segundo seu número maior ou menor (pois os encaram como sendo
todos da mesma espécie) e formam assim seu conceito de
obrigação.
Na verdade, este
conceito é tudo menos moral; mas é o único que se pode esperar de uma filosofia que,
sobre a
origem
de todos os conceitos práticos possíveis, não decide de maneira nenhuma
se se produzem
apriori
ou só
aposteriori.
Ora, propondo-me publicar, um dia, uma
Metafísica dos costumes,
faço-a preceder deste
opúsculo que lhe serve de fundamentação. Decerto não há,um rigor, outro fundamento
em que da possa assentar,de não seja a Crítica de umarazão
pura prática,
do mesmo
modo que, para fundamentar a Metafísica, se requer a Crítica da razão pura especulativa
por mim já publicada. Mas, em parte, a primeira destas Críticas não é de tão extrema
necessidade como a segunda, porque em matéria moral a razão humana, mesmo entre o
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comum dos mortais, pode ser facilmente levada a alto grau de exatidão e de perfeição,
ao passo que no seu uso teorético,mas puro, da é totalmente dialética; e, em parte, no
que concerne à Crítica de uma razão pura prática, para que ela seja completa, reputo
imprescindível que semostre ao mesmo tempo a unidade da razão prática e da razão
especulativa num princípio comum; pois que, em última instância, só pode haver umae
amesma razão, e só na aplicação desta há lugar para distinções. Ora, não me seria
possível aqui realizar um trabalho tão esmiuçado e completo, sem introduzir
considerações de ordem inteiramente diferente e sem lançar a confusão no ânimo do
leitor. Por isso, em vez de dar a este livrinho o título de
Crítica da razão pura prática,
denominei-o
Fundamentação da Metafísica dos costumes.
Mas, porque, em terceiro lugar, uma Metafísica dos costumes, não obstante o que o
título comporta de assustador, pode entanto ser exposta em forma popular e adequada à
inteligência do vulgo, afigura-se-me útil publicar à parte este trabalho preliminar, no
qual são assentes os fundamentos, (392) para posteriormente não me ver obrigado a
imiscuir sutilezas, inevitáveis em semelhante matéria, a doutrinas de mais fácil
compreensão.
Apresente
Fundamentação
não é mais do que a pesquisa e a determinação do
princípio
supremo da moralidade,
obastante para constituir um todo completo, separado e
distinto de qualquer outra investigação moral. Certamente minhas afirmações sobre tão
momentoso problema, e que até ao presente não foi tratado de modo satisfatório, muito
pelo contrário, receberiam ampla e elucidativa confirmação, se o princípio em questão
fosse aplicado a todo o sistema, mercê do poder de explicação suficiente que ele em
tudo manifesta; vi-me porém obrigado a renunciar a esta vantagem, que, no fundo,
estaria mais de acordo com o meu amor próprio do que com o interesse geral, uma vez
que a facilidade de aplicação de um princípio bem como sua aparente suficiência não
fornecem prova absolutamente segura de sua exatidão, antes, pelo contrário, suscitam
em nós certa atitude de parcialidade capaz de nos induzir a não examiná-lo e apreciá-lo
rigorosamente por si mesmo, sem atender às conseqüências.
Segui, neste opúsculo, o método que penso ser o mais conveniente, quando pretendemos
elevar-nos analiticamentedo conhecimento vulgar à determinação do princípio supremo
do mesmo, e, depois, por caminho inverso, tornar a descer sintèticamente do exame
deste princípio e de suas origens ao conhecimento vulgar, onde se verifica sua
aplicação. A divisão da obra é pois a seguinte:
1)
Primeira secção:
Passagem do conhecimento racional comum da moralidade ao
conhecimento filosófico.
2)
Segunda secção:
Passagem da filosofia moral popular à Metafísica dos costumes.
3)
Terceira secção:
Último passo da Metafísica dos costumes à Crítica da razão pura
prática.
PRIMEIRA SEÇÃO
Passagem do conhecimento racional comum da moralidade ao conhecimento
filosófico
N
ÃO
É
POSSÍVEL
conceber coisa alguma no mundo, ou mesmo fora do mundo, que sem
restrição possa ser considerada boa, a não ser uma só: uma BO
AVONTADE
.A
inteligência, o dom de apreender as semelhanças das coisas, a faculdade de julgar, e os
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demais
talentos
do espírito, seja qual for o nome que se lhes dê, ou a coragem, a
decisão, a perseverança nos propósitos, como qualidades d
otemperamento
,são sem
dúvida, sob múltiplos respeitos, coisas boase apetecíveis; podem entanto estes dons da
natureza tornar-se extremamente maus e prejudiciais, se não for boa vontade que deles
deve servir-se e cuja especial disposição se denomina
caráter.
Omesmo se diga dos
dons da fortuna.
Opoder, a riqueza, a honra, a própria saúde e o completo bem-estar e
satisfação do próprio estado, em resumo o que se chama
felicidade,
geram uma
confiança em si mesmo que muitas vezes seconverte em presunção, quando falta a boa
vontade para moderar e fazer convergir para fins universais tanto a imprudência que tais
dons exercem sobre a alma como também o princípio da ação. Isto, sem contar que um
espectador razoável e imparcial nunca lograria sentir satisfação em ver que tudo corre
ininterruptamente segundo os desejos de uma pessoa que não ostenta nenhum vestígio
de verdadeira boa vontade; donde parece que a boa vontade constitui a condição
indispensável para ser feliz.
Há certas qualidades favoráveis a esta boa vontade e que podem facilitar muito sua
obra, mas que, não obstante, (394) não possuem valor intrínseco absoluto, antes
pressupõem sempre uma boa vontade. É esta uma condição que limita o alto apreço em
que, justificadamente, as temos, e que não permite reputá-las incondicionalmente boas.
Amoderação nos afetos e paixões, o domínio de si e a calma reflexão, não são apenas
bons sob múltiplos aspectos, mas parece constituírem até uma parte do valor intrínseco
da pessoa; falta contudo ainda muito para que sem restrição possam ser considerados
bons (a despeito do valor incondicionado que os antigos lhes atribuíam). Sem os
princípios de uma boa vontade podem tais qualidades tornar-se extremamente más: por
exemplo, o sangue frio de um celerado não só o torna muito mais perigoso, como
também, a nossos olhos, muito mais detestável do que o teríamos julgado
sem
ele.
Aboa vontade é tal, não por suas obras ou realizações, não por sua aptidão para
alcançariam fim proposto, mas só pelo "querer " por outras palavras, é boa em si e,
considerada em si mesma, deve sem comparação ser apreciada em maior estima do que
tudo quanto por meio dela poderia ser cumprido unicamente em favor de alguma
inclinação ou, se , se prefere, em favor da soma de todas as inclinações. Mesmo quando,
por singular adversidade do destino ou por avara dotação de uma natureza madrasta,
essa vontade fosse completamente desprovida do poder de levar a bom termo seus
propósitos; admitindo até que seus esforços mais tenazes permanecessem estéreis; na
hipótese mesmo de que nada mais restasse do que a só boa vontade (entendendo por
esta não um mero desejo, mas o apelo a todos os meios que estão ao nosso alcance), ela
nem por isso deixaria de refulgir como pedra preciosa dotada de brilho próprio, como
alguma coisa que em si possui valor. A utilidade ou inutilidade em nada logra aumentar
ou diminuir esse valor. A utilidade seria, por assim dizer, apenas o engaste que faculta o
manejo da jóia no uso corrente, ou capaz de fazer convergir para si a atenção dos que
não são suficientemente entendidos no assunto, mas que nunca poderia torná-la
recomendável aos peritos nem determinar-lhe o valor.
Há todavia nesta idéia do valor absoluto da simples vontade, neste modo de a estimar
prescindindo de qualquer critério, de utilidade, algo de tão estranho que, a despeito do
completo acordo existente entre ela e a razão comum, pode todavia surgir uma suspeita:
quem sabe se, na realidade, não se alberga aqui, no fundo, senão uma vaporosa
fantasmagoria e (395) se não será compreender falsamente a natureza em sua intenção
de conferir à razão a direção de nossa vontade. Pelo que, propomo-nos examinar, desde
este ponto de vista, a idéia do valor absoluto da pura vontade.
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Na constituição natural de um ser organizado, ou seja, de um ser constituído em vista da
vida, assentamos como princípio fundamental que não existe órgão destinado a uma
função, que não seja igualmente o mais próprio e adaptado a essa função. Ora, se num
ser prendado de razão e de vontade a natureza tivesse como fim peculiar a sua
conservação, o seu bem-estar, numa
palavra, a sua
felicidade,
devemos confessar que
ela teria tomado muito mal suas precauções, escolhendo a razão desse ser como
executora de sua intenção. Todas as ações,que um tal ser deve cumprir para realizar
este fim, bem como a regra completa de seu comportamento, ter-lhe-iam sido indicadas
com muito maior exatidão pelo instinto, podendo desse modo aquele fim ter sido muito
mais facilmente alcançado do que por meio da razão; e se a uma tal criatura devesse ser
concedida por acréscimo a razão, esta não deveria servir-lhe senão para refletir sobre as
felizes disposições de sua natureza, para as admirar, para delas se regozijar e se mostrar
grata à Causa benfazeja; que não para submeter àquela, fraca e ilusória direção sua
potência apetitiva, estragando assim os planos da natureza, Numa palavra, a natureza
teria impedido que a razão se imiscuísse num
uso
prático e tivesse a presunção de, com
suas fracas luzes, formular para si o plano da felicidade e os meios de a alcançar; a
natureza teria tomado sobre si a escolha, não só dos fins, como também dos meios, e
com sábia previdência os teria confiado ao instinto
.
Éfato que, quanto mais uma razão cultivada se afadiga na busca dos prazeres da vida e
da felicidade, tanto mais o homem se afasta do verdadeiro contentamento; donde
acontece que para muitos, e justamente para os mais experimentados no uso da razão, se
eles são bastante sinceros para o confessar, surge um certo graude
mesologia
ou, por
outras palavras, de ódio da razão. Feito o cômputo das vantagens que auferem, não
digo da descoberta de todas as artes que convergem no luxo vulgar,
mas
também das
ciências (que, no fim, lhesaparecem como um luxo do entendimento), verificam eles
que as fadigas sofridas superam em muito a felicidade desfrutada; (396) e, por tal
motivo, comparando-se com a categoria de homens inferiores, que de preferência se
deixam guiar pelo instinto, nem concedem à razão senão diminuta influência sobre seu
procedimento, acabam por sentir mais inveja do que desprezo deles. Importa, além
disso, confessar que o juízo de tais homens que rebaixam muito e chegam a reduzir a
nada as pomposas glorificações das vantagens que a razão nos deveria proporcionar
relativamente à felicidade e
contentamento
da vida, não provém de maneira nenhuma do
mau humor ou da falta de agradecimento à bondade da Providência; mas que, no fundo
deste juízo, se alberga a idéia, não expressa, de que o fim de sua existência é, de fato,
diferente e muito mais nobre, que a este fim e não à felicidade a razão é peculiarmente
destinada, e que, por conseguinte, aele, como a condição suprema, devem as mais das
vezes submeter-se as intenções particulares do homem.
Com efeito, dado que arazão não é suficientemente capaz de guiar com segurança a
vontade no concernente a seus objetos e satisfação de todas as nossas necessidades (que
ela em parte concorre para multiplicar), e que um instinto natural inato a guiaria mais
seguramente a esse fim; atendendo entanto a que a razão nos foi outorgada como
potência prática; isto é, como potência que deve exercer influência sobre a
vontade,
é
mister que sua verdadeira destinação seja produzir uma
vontade boa,
não
como meio
para conseguir qualquer outrofim, mas
boa cm si mesma;
para o que a razão era
absolutamente necessária, uma vez que, em tudo o mais, a natureza, na
repartição
de
suas propriedades, procedeu de acordo com. fins determinados. Esta vontade poderá
não ser o único bem,o bem integral; deve porém ser necessariamente o bem supremo, a
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condição donde dependem os restantes bens, e até mesmo a aspiração à felicidade.
""Neste caso, éperfeitamente coadunável com a sabedoria da natureza o fato de a
cultura da razão, indispensável para obter o primeiro destes fins que é incondicionado,
limitar de muitos
modos,
ao
menos
nesta vida, a obtenção segundo, que é sempre um
fim condicionado, ou seja, a felicidade, até ao ponto de reduzir a nada a sua realização.
Nisto a natureza não age contra toda finalidade, pois a razão, que reconhece que seu
supremo destino prático consiste em criar uma boa vontade, não pode encontrar o
cumprimento deste propósito senão satisfação a elaadequada, ou seja, resultante da
realização de um fim que só ela determina, embora daí redunde algum prejuízo para os
fins da inclinação.
Afim de elucidar o conceito de uma vontade (397) altamente estimável em si, de uma
vontade boa independentemente de qualquer intenção ulterior, conceito já inerente a
todo entendimento são e que precisa não tanto de ser ensinado quanto apenas de ser
explicado; a fim de elucidar este conceito, que ocupa sempre o posto mais elevado na
apreciação do valor completo de nossas ações e constitui a condição de tudo o mais,
examinaremos o conceito do
DÊVER
,que contém o de uma boa vontade, com certas
restrições, e certo, e com certos entraves subjetivos, mas que, longe de o dissimularem e
tornarem irreconhecível, mais o salientam por contraste e o tornam mais esplendente.
Passo aqui em silêncio todas as ações geralmente havidas por contrárias ao dever, se
bem que, deste ou daquele ponto de vista, possam ser úteis, pois nelas não se põe a
questão de saber se podem ser praticadas por
dever\
uma vez que estão em contradição
com ele. Deixo também de lado as ações que são realmente conformes com o dever,
para as quais entanto os homens não sentem
inclinação
imediata, mas que apesar disso
executam sob o impulsode outra tendência porque, em tal caso, é fácil distinguir se a
ação conforme com o dever foi realizada
por dever
ou por cálculo interesseiro. Muito
mais difícil é notar esta distinção, quando, sendo a ação conforme com o dever, o sujeito
sente para com ela uma inclinação
imediata.
Por exemplo, é manifestamente conforme
com o dever que o comerciante não peça umpreço demasiado elevado a um comprador
inexperiente, e, mesmo quando o comércio é intenso, o comerciante hábil não procede
desse modo; mantém, pelo contrário, um preço fixo igual para todos, de sorte que uma
criança lhe pode comprar uma coisa pelo mesmo preço que qualquer outro cliente. As
pessoas são pois servidas
lealmente;
mas isso não basta para crer que o negociante
procedeu assim por dever ou por princípios de probidade; movia-o o interesse; e não se
pode supor neste caso que ele tivesse, além disso, uma inclinação imediata para com
seus clientes, que o induzisse a fazer, por amor, preços mais convenientes a um do que a
outro. Eis aí uma ação cumprida não por dever, nem por inclinação imediata, mas tão-
somente por cálculo interesseiro.
Pelo contrário, conservar a própria vida é um dever, e é, além disso, uma coisa para a
qual todos sentimos inclinação imediata. Justamente por isso a solicitude muitas vezes
angustiante que a maior parte dos homens demonstra pela vida é destituída de todo valor
intrínseco, e a máxima, que, (398) exprime tal solicitude, não tem nenhum valor moral.
De fato, eles conservam a vida
conformemente ao dever,
mas não
por dever.
Ao invés,
se contrariedades ou uma dor sem esperança tiraram a um homem todo o prazer da vida,
se o infeliz, de ânimo forte, se sente mais enojado de sua sorte que descoroçoado ou
abatido, se deseja a morte, e, no entanto, conserva a vida sem a amar, não por inclinação
ou temor, mas por dever, então sua máxima comporta valor moral.
Ser benfazejo, quando se pode, é um dever; contudo há certas almas tão propensas à
simpatia que, sem motivo de vaidade ou de interesse, experimentam viva satisfação em'
difundir em volta de si a alegria e se comprazem em ver os outros felizes, na medida em
que isso é obra delas. Mas afirmo que, em tal caso, semelhante ação, por conforme ao
dever e por amável que seja, não possui valor moral verdadeiro; é simplesmente
concomitante com outras inclinações, por exemplo, com o amor da glória, o qual,
quando tem em vista um objeto em harmonia com o interesse público e com o dever,
com o que, por conseguinte, é honroso, merece louvor e estímulo, mas não merece
respeito; pois à máxima da ação falta o valor moral, que só está presente quando as
ações sãopraticadas, não por inclinação,
por dever
.Imaginemos pois a alma deste
filantropo anuviada por um daqueles desgostos pessoais que sufocam toda simpatia para
com a sorte alheia; que ele tenha ainda a possibilidade de minorar os males de outros
desgraçados, sem que todavia se sinta comovido com os sofrimentos deles, por se
encontrar demasiado absorvido pelos seus próprios; e que, nestas condições, sem ser
induzido por nenhuma inclinação, se arranca a essa extrema insensibilidade e age, não
por inclinação, mas só por dever: só nesse caso seu ato possui verdadeiro valor moral.
Mais ainda. Se a natureza houvesse
deposto no
coração deste ou daquele pequena dose
de inclinação para a simpatia se um tal homem (aliás honesto), fosse de temperamento
frio e indiferente para com os sofrimentos alheios, talvez porque, sendo prendado de
especial dom de resistência e de paciente energia contra os sofrimentos próprios, supõe
igualmente nos outros, ou deles exige, qualidades idênticas; se a natureza não tivesse
particularmente formado este homem (que, na verdade, não seria a sua pior obra) para
dele fazer um filantropo, não encontraria eleem si estofo com que se atribuir um valor
muito superior ao de um homem de temperamento naturalmente benévolo?. Por certo
quê sim. E justamente aqui transparece o valor moral incontestavelmente mais elevado
de seu (399) caráter, resultante deele praticar o bem, não por inclinação, {mas por
dever.assegurar a própria, felicidade é um, dever (ao menos, indireto), porque o não
estar satisfeito com o seu estado, o viver oprimido por inumeráveis preocupações e no
meio de necessidades não preenchidas pode muito facilmente converter-se em grande
tentação de infringir seus deveres.
Mas, umavez mais, independentemente do dever,
todos os homens possuem dentro em si uma inclinação muito forte e muito profunda
para a felicidade, pois que justamente nesta idéia de felicidade se unem todas as suas
tendências. Simplesmente o preceito, que nos manda buscar a felicidade, apresenta
muitas vezes caráter tal que prejudica algumas de nossas inclinações, de sorte que não é
possível ao homem formar idéia nítida e bem definida do complexo de satisfação de
seus desejos, a que dá o nome de felicidade. Não há pois motivo para ficar surpreendido
de que'uma só inclinação, determinada quanto ao prazer que promete e quanto à época
em que poderá ser satisfeita, seja capaz de sobrepujar uma idéia vaga. Por exemplo, um
gotoso preferirá saborear um acepipe de seu agrado, não se lhe dando de sofrer as
conseqüências, porque segundo seus cálculos, ao menos nesta circunstância, acha
preferível não se privar de um prazer atual, pela esperança acaso infundada de uma
felicidade associada à saúde. Mas, também neste caso, se a saúde, para ele ao menos,
não fosse coisa a que devesse outorgar lugar preponderante em seus cálculos,
permaneceria ainda de pé, neste como nos demais casos, uma lei, a saber, a lei que
manda trabalhar pela própria felicidade,não por inclinação, por inclinação, mas por
dever. Só então seu comportamento possui autêntico valor moral.
Assim devem, sem dúvida, ser compreendidos também os passos da Escritura, onde se
ordena amar o próximo e ate os inimigos. Com efeito, o amor, como inclinação, não
pode ser comandado; mas praticar o bem por dever, quando nenhuma inclinação a isso
nos incita, ou quando uma aversão natural e invencível se opõe, eis um amor
prático
e
não
patológico
,que reside na vontade, e não na tendência da sensibilidade, nos
princípios da ação, e não numa compaixão emoliente. Ora, é este único amor que pode
ser comandado.
Venhamos à segunda proposição. Uma ação cumprida por dever tira seu valor
moral
não do fim
que por ela deve ser alcançado, mas da máxima que a determina. Este
valor (400) não depende, portanto, da realidade do objeto da ação, mas unicamente do
princípio do querer,
segundo o qual a ação foi produzida, sem tomar em conta nenhum
dos objetos da faculdade apetitiva. De tudo quanto precede, segue-.se que os fins que
podemos ter em nossas ações, bem como os efeitos daí resultantes, considerados como
fins e molas da vontade, não podem comunicar às ações nenhum valor moral absoluto.
Onde pode pois residir esse valor, se não deve encontrar-se na relação da vontade com
os resultados esperados destas ações ? Em nenhuma outra parte é possível encontrá-lo
senão no
principio da vontade,
abstraindo dos fins que podem ser realizados por meio
de uma tal ação. De fato, a vontade, situada entre seu princípio
a. priori,
que é formal e
seu móbil a
posteriori,
que é material, está como que na bifurcação
de dois caminhos; e, como é necessário que alguma coisa a determine, será
determinada pelo princípio formal do querer em geral, sempre que a ação se pratique
por dever, pois lhe é retirado todo princípio material.
Quanto à terceira proposição, conseqüência das duas precedentes, eis como a formulo o
dever é a necessidade de cumprir uma ação pelo respeito à lei. Para.
oobjeto
concebido como efeito da ação que me proponho, posso verdadeiramente sentir
inclinação,
nunca porém
respeito
,precisamente porque ele é simples efeito, e não a
atividade de uma vontade. Do mesmo modo, não posso ter respeito a uma inclinação em
geral, seja ela minha ou de outrem; quando muito, posso aprová-la no primeiro caso,
no segundo caso talvez até amá-la, isto é, considerá-la como favorável a meu interesse.
Só o que está ligado à minha vontade unicamente como princípio, e nunca como efeito,
oque não serve a minha inclinação mas a domina, e ao menos a exclui totalmente da
avaliação no ato de decidir, por conseguinte a simples lei por si mesma é que
pode ser objeto de respeito, e, portanto, ordem, para mim. Ora, se uma ação cumprida
por dever elimina completamente a influência da inclinação e, com ela, todo objeto da
vontade," nada resta capaz de determinar a mesma vontade, a não ser objetivamente
a.
lei e
subjetivamente um
puro respeito
aesta lei prática, portanto a máxima (*) de
obedecer a essa lei, embora com dano de todas as minhas inclinações"
Portanto, o valor moral da ação não reside no (401) efeito que dela se espera, como nem
em qualquer princípio da ação que precise de tirar seu móbil deste efeito esperado. Com
efeito, todos estes resultados (contentamento de seu estado, e até mesmo contribuição
para a felicidade alheia) poderiam provir de outras causas; não é necessária para isso a
vontade de um ser raciona, muito embora somente nesta se possa encontrar o supremo
bem, o bem incondicionado. Por isso
arepresentação da lei
cm si mesma,
que
seguramente só tem lugar num ser racional,
com a condição de ser esta representação, e
não o resultado esperado, o princípio determinado da vontade, eis o que só é capaz de
constituir o bem tão excelente que denominamos moral, o qual já se encontra presente
na pessoa que age segundo essa idéia, mas que não deve ser esperado somente do efeito
de sua ação(**).
(•)
Máxima é
oprincípio subjetivo do querer; o princípio objetivo (isto é, o princípio capaz de
servir tambémsubjetivamente' de principio pratico para todos os seres racionais, se a razão
tivesse pleno poder sobre a faculdade apetitiva) é a
lei prática
(58).
(**) Poderiam objetar-me que, servindo-me do termo
respeito,
tento apenasrefugiar-me num
sentimento obscuro, em vez de aclarar a questão por meio de um conceito da razão. Mas,
conquanto o respeito seja um sentimento, não é todavia sentimento proveniente de influência
estranha, mas, sim,pelo contrário, sentimento
espontaneamente produzido
por umconceito da
razão, e porisso mesmo especificamente distinto dos sentimentosda primeira espécie, referentes
àinclinação ou ao temor. O que reconheço imediatamente como lei para mim, reconheço-o com
um sentimento de respeito que exprime simplesmente a consciência que tenho da
subordinação
de minha vontade a uma lei, sem intromissão de outrasinfluências em minha sensibilidade. A
determinação imediata da vontade pela lei, e a consciência que tenho dessa determinação,
chama-se respeito,de sorte que este deve ser considerado, não como
causa
da lei, mascomo
efeito, da mesma sobre o sujeito. Em rigorde expressão o respeito é a representação—de um
valor que vai de encontro ao meu amor próprio.Conseguintemente é alguma coisa que não é
considerada nemcomo objeto de inclinação, nem como de temor,se bemque apresente alguma
analogia com ambosao mesmo tempo. O
objeto
do respeitoé pois simplesmente,a lei, lei que
nosimpomos
anósmesmos,
mas que no entanto é necessária em si. Enquanto lei, estamos-lhes
sujeitos, semconsultar nosso amor próprio; enquanto imposta pornósa nósmesmos,é
conseqüência de nossa vontade. Do primeiro ponto de vista oferece analogia como temor; do
segundo ponto de vista,tem analogia com a inclinação.O respeito que se sente para comuma
pessoa, na realidade não 6 mais do que*o respeito da lei (da honestidade, etc.) de que essa
pessoa nosdá exemplo.Do mesmo modo que consideramos umdever cultivar nossostalentos,
assim tambémvemosnuma pessoa prendada de talentoscomo que o
exemplo de.uma lei
(que
ordena que nosexercitemoscm nosassemelhar-nosnela nisto): eiso que constitui o nosso
respeito.Tudo quanto se designa
interesse
moral consiste unicamente no
respeito
da lei.
(402) Mas que lei pode ser esta, cuja representação, sem qualquer espécie de
consideração pelo efeito que dela se espera, deve determinar a vontade, para que esta
possa ser denominada boa absolutamente e sem restrição ? Após ter despojado a
vontade de todos os impulsos capazes de nela serem suscitados pela idéia dos resultados
provenientes da observância de uma lei, nada mais resta do que a conformidade
universal das ações a uma lei em geral que deva servir-lhe de princípio: noutros termos,
devo portar-me sempre de modo
que eu possa também querer que minha máxima se
torne em lei universal
. A simples conformidade com a lei em geral (sem tomar por
base uma determinada lei para certas ações) é a que serve aqui de princípio à vontade,
epor conseguinte deve igualmente servir-lhe de princípio, se o dever não é ilusão vã e
conceito quimérico. O bom-senso vulgar, no exercício de seu juízo prático,
concorda plenamente com o princípio exposto, e nunca o perde de vista.
Tomemos, por exemplo, a questão seguinte: ser-me-á lícito, em meio de graves apuros,
fazer uma promessa com intenção de a não observar ? Não oferece dificuldade
distinguir os dois sentidos que a questão pode comportar, consoante se deseja saber
se é prudente, ou se é conforme ao dever, fazer uma promessa falsa. Sem dúvida que
muitas vezes pode ser prudente; mas é claro que não basta safar-me, mercê deste
expediente, de um embaraço presente; devo ainda examinar com
cuidado se dessa
mentira não me redundarão, no futuro, aborrecimentos muito mais graves do que
aqueles de que me liberto
neste momento; e como, a despeito de toda minha
sagacidade,
não são fáceis de prever as conseqüências, de meu ato, devo./ recear que
aperda de confiança por parte de ou trem me acarrete maiores prejuízos que todo o
mal que neste momento penso evitar. Agirei pois
mais sensatamente,
portando-
me, nesta ocorrência em conformidade com uma máxima universal e procurando criar o
hábito de nada prometer sem intenção de cumprir, Mas depressa se me afigura
evidente que tal máxima estriba sempre no temor das conseqüências. Ora, uma
coisa é ser sincero por dever, e outra coisa ser sincero pôr temos das conseqüências
desagradáveis: no primeiro caso, o conceito da ação em si mesma contém já uma lei
para mim; mas no segundo caso, preciso, antes de mais nada, tentar descobrir alhures
quais as conseqüências que seseguirão à minha ação. Porque, se me desvio do
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