princípiododever,cometodecertoumaaçãomá;masseabandonominhamáximade
prudência,posso,emcertoscasos,auferirdaígrandes(403)vantagens,embora,na
verdade,sejamaisseguroater-meaela.Afinaldecontas,noconcernenteàrespostaa
estaquestão:seumapromessamentirosaéconformeaodever,omeiomaisrápidoe
infalíveldemeinformarconsisteemperguntaramimmesmo:ficariaeusatisfeito,se
minhamáxima (tirar-mededificuldadespormeiodeumapromessaenganadora
devessevaler como o lei i universal l (tanto o para a mimcomo para a osoutros?Poderei
dizeramimmesmo: podecadahomemfazerumapromessafalsa,quandoseencontra
emdificuldades,dasquaisnãolograsafar-sedeoutramaneira?Destemodo,depressa
meconvençoquepossobemquereramentira!masnãoposso,demaneiranenhuma
quererumaleiquemandementir;pois,comoconseqüênciadetallei,nãomaishaveria
qualquerespéciedepromessa,porqueseria,defato,inútilmanifestarminhavontadea
respeitodeminhasaçõesfuturasaoutraspessoasquenãoacreditariamnessa
declaração,ouque,seacreditassemàtoa,meretribuiriamdepoisnamesmamoeda;de
sortequeminhamáxima,tãologofossearvoradaemleiuniversal,necessariamentese
destruiriaasimesma.
Portantonãoprecisodepossuirgrandeperspicáciaparasaberoquedevofazer,afimde
queminhavontadesejamoralmenteboa.Mesmoquemefaleçaaexperiênciadascoisas
domundo,emesintaincapazdeenfrentartodososacontecimentosquenelese
produzem,bastaqueamimprópriopergunte: Podesquererquetambémtuamáximase
convertaemleiuniversal?Seissonãoforpossível,deveamáxima,serrejeitada,não
precisamenteporcausadealgumdanoquedaípossaresultarparatioutambémpára
outros,masporqueelanãopodeseradmitidacomoprincípiodeumapossívellegislação
universal.Comefeito,arazãomeconstrangeaumrespeitoimediatoparacomessa
legislação;ese,demomento,não
enxergo
ainda qual seja o fundamento de tal respeito
(o que pode ser objeto de pesquisa por parte do filósofo), ao menos compreendo bem
que se trata aqui de apreciar um valor que sobrepuja o valor de tudo o que é exaltado
pela inclinação, e que a necessidade em que me encontrode agir por puro
respeito
àlei
prática,constitui o que se denomina dever, perante o qual qualquer outro motivo deve
ceder,visto ele ser a condição de uma vontade boa
em si,
cujo
valor
está acima de tudo.
Por esta forma, no conhecimento moral darazão humana comum, chegamos àquilo que
éo princípio da mesma, princípio que, por certo, ela não concebe assim separado numa
forma universal, mas que, no entanto, sempre tem diante (404) dos olhos, e do qual se
serve como de regra de seu juízo. Muito fácil seria mostrar aqui como, com este
compasso na mão, a razão possui, em todos os casos supervenientes, plena competência
para distinguir o que é bom e o que é mau, o que é conforme e o que é contrário ao
dever, bastando que, sem nada lhe ensinarem de novoe aplicando apenas o método de
S
ÓCRATES
,a tornem simplesmente atenta a seu próprio princípio; mostrando-lhe como
não precisa de ciência nem de filosofia para saber como é que uma pessoa se deve
portar para ser honesta e boa, e até sábia e virtuosa. Já desde o inicio
se podia supor que o conhecimento daquilo que a todo homem compete fazer, e por
conseguinte também saber, é propriedade de todos os seres humanos, por vulgares que
sejam. A este propósito, não pode deixar de causar admiração o fato de, na inteligência
comum da humanidade, a faculdade de julgar em matéria prática prevalecer
grandemente sobre a faculdade de julgar em matéria teorética. Nesta última, quando a
razão comum ousa afasta-se das leis da experiência e das percepções dos sentidos, ela
cai em manifestos absurdos e contradições consigo mesma, cai pelo menos num caos de
incertezas de obscuridades e de inconseqüências. Pelo contrário, em matéria prática^ a
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faculdade de julgar começa justamente a mostrar suas vantagens, quando a inteligência
comum exclui das leis práticas todos os impulsos sensíveis. Ela torna-se então sutil,
quer queira chicanar com a sua consciência ou com outras opiniões relativas àquilo que
deve ser considerado honesto, quer pretenda, para sua própria instrução, determinar
exatamente o valor das ações; e, o que é sumamente importante, pode ela, neste último
caso, esperar ser bem sucedida na tarefa de determinar o valor das ações, tão bem
quanto qualquer filósofo; mais ainda, pode proceder com maior segurança do que este,
porque o filósofo, não dispondo de outros princípios diferentes dos dela, pode deixar-se
enredar facilmente por uma sériede considerações estranhas ao assunto, que o desviam
do reto caminho. Não seria, portanto, mais sensato, ater-se, nas questões morais, ao
juízo da razão comum, e não recorrer à filosofia senão para expor, quando muito, o
sistema da moralidade de maneira mais completa e mais compreensiva, para apresentar
as regras, que lhe dizem respeito, de maneira mais cômoda parao uso (e mais ainda para
adiscussão), nunca porém para privar a inteligência humana, mesmo do ponto de vista
prático, de sua ditosa simplicidade, nem para fazer que ela enverede, com o auxílio da
filosofia, por um novo caminho de investigação e de instrução ?
Esplêndida coisa é a inocência; mas é para lamentar que ela não saiba preservar-se e que
se deixe seduzir com tantafacilidade. Pelo que,"a sabedoria
-
—que, aliás, consiste mais
na conduta do que no saber — precisa também da ciência, não para dela tirar
ensinamentos, senão para garantir a suas prescrições, influência e estabilidade. O
homem sente, em seu foro íntimo, potente força de oposição a todos os preceitos do
dever que a razão lhe apresenta como altamente dignos de respeito; e esta força é
constituída por suas necessidades e inclinações, cuja satisfação completa se compendia
naquilo a que dá o nome de felicidade. Ora, a razão enuncia seus preceitos, sem
condescender com as inclinações, sem nunca ceder; por conseguinte, com uma espécie
de desdém e sem consideração de espécie alguma por aquelas pretensões tão impetuosas
e, por isso mesmo, aparentemente tão legítimas (que não consentem em se deixar
suprimir por nenhum preceito). Daqui procede uma
Dialética natural
,ou seja, uma
tendência para sofisticar contra aquelas severas leis do dever e pôr em dúvida a validade
ou, ao menos, a pureza e o rigor das mesmas, bem como para tentar adaptá-las o mais
possível a nossos desejos e inclinações; por outras palavras, para corrompê-las cm sua
essência e destituí-las de toda dignidade: coisa que a razão prática vulgar, não pode, por
forma alguma, aprovar.
Assim,
arazão humana comum
éimpelida, não por necessidade de especulação
(necessidade que ela não sente, enquanto se contenta cm ser apenas a sã razão), mas por
motivos práticos, a sair de sua esfera e a dar um. passo no campo de uma
filosofia
prática,
para recolher informações exalas e explicações claras acerca da origem do seu
princípio e da definição precisa do mesmo, em oposição às máximas que estribam nas
necessidades e inclinações. Por este meio, espera ela poder safar-se da dificuldade em
presença de pretensões opostas e não correr o risco de perder, em conseqüência dos
equívocos em que facilmente poderia incorrer, todos os genuínos princípios morais.
Deste modo se desenvolve insensivelmente no uso prático da razão comum, quando esta
écultivada, uma
Dialética,
que a constringe a buscar auxílio na filosofia, tal como lhe
acontece no uso teórico; e, assim, tanto no primeiro caso como no segundo, ela não
pode encontrar repouso senão numa crítica completa da nossa razão;
SEGUNDA SECÇÃO
Passagem dafilosofia moral popularà metafísica dos costumes
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S
EATÉ AQUI
derivamos do uso comum de nossa razão prática o conceito do dever, nem
por isso devemos concluir que o tratamos como sendo um conceito empírico. Ao invés,
se voltarmos a atenção para a experiência do comportamento positivo e negativo dos
homens, deparamos com contínuas e, segundo se nos afigura, justas queixas, sobre
nossa impossibilidade de aduzir exemplos certos, que nos permitam julgar se houve a
intenção de agir por puro dever. Muitas ações podem ser
conformes
àquilo que
odever
prescrevessem quepor isso desapareça a dúvidade que tenham sido realmente
cumpridas
por dever
e, por conseguinte, de que possuam valor moral. Eis por que
houve, em todos os tempos, filósofos que negaram absolutamente a realidade desta
intenção às ações humanas, e que as atribuíram todas a um amor-próprio mais ou menos
apurado. Não punham eles em dúvida a exatidão do conceito de moralidade. Pelo
contrário, lamentavam grandemente a fraqueza e impureza da natureza humana, a qual,
se por um lado é suficientemente nobre para tomar como regra de conduta uma idéia tão
digna de respeito, por outro lado é demasiado fraca para a seguir; e que, além disso, se
utiliza da razão, que deveria ditar-lhe leis, apenas para favorecer o interesse das
inclinações, quer escolhendo uma entre as demais, quer, ao sumo, conciliando-as entre
si da melhor maneira possível.
De fato, é absolutamente impossível estabelecer,(407) mediante a experiência, com
plena certeza, um só caso, em que a máxima de uma ação, aliás, conforme ao dever,
estribe na Representação do dever.Na verdade, acontece, por vezes, que, malgrado o
mais escrupuloso exame de nós próprios, não encontramos absolutamente motivo que,
fora do princípio moral do dever, tenha sido capaz de nos incitar à prática desta ou
daquela boa ação, deste ou daquele grande sacrifício; mas daqui não se pode
com certeza concluir que um secreto impulso do amor-próprio, sob a simples miragem
da idéia do dever, não tenha sido averdadeira causa determinante da vontade. Na
verdade, de bom grado nos lisonjeamos, atribuindo-nos falsamente um princípio de
determinação mais nobre; de fato, porém, nunca podemos, nem mesmo mediante o
mais rigoroso exame, penetrar inteiramente em nossos mais secretos impulsos.
Ora, quando se trata de valor moral, o que importa não são as ações exteriores que se
vêem, mas os princípios internos daação, que se não vêem.
Àqueles que zombam de toda moral, como de quimera da imaginação humana, que por
presunção a si mesma se exalta, não se pode prestar serviço mais conforme a seus
desejos, do que conceder-lhes que os conceitos do dever (bem como por comodidade se
crê facilmente serem todos os outros conceitos) devem ser derivados exclusivamente da
experiência; pois assim se lhes prepara um triunfo seguro. Por amor dahumanidade,
concedo que a maior parte das nossas ações seja conforme ao dever; mas, examinando
de mais perto o móbil e fim delas, esbarramos por toda a parte com o
Eu querido,
que
termina sempre por levar a melhor. Sobre este Eu, e não sobre o rígido comando do
dever, que as mais das vezes exigiria a abnegação de nós próprios, se fundamenta o
impulso donde tais ações promanam. Sem ser precisamente inimigo da virtude, basta
observar com sangue frio e não confundir o bem com o vivo desejo de o ver realizado,
para que, em certas circunstâncias (principalmente em idade já avançada, e quando se
tem a faculdade de julgar, por um lado, amadurecida pela experiência e, por outro lado,
aguçada pela observação) duvidemos de que realmente se possa encontrar no mundo
alguma virtude verdadeira. Por conseguinte, para nos preservar da falência total de
nossas idéias sobre o dever, bem como para manter na alma um respeito bem fundado
da lei que o prescreve, nenhuma outra coisa existe,a não ser a convicção clara de que,
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mesmo quando nunca houvessem sido praticadas ações derivadas de fontes tão puras, o
que importa não é saber se este ou aquele ato se verificou mas sim que a razão por si
mesma, e independentemente (408) de todos os fenômenos, ordena o que eleve
acontecer; e que, conseqüentemente, ações, de que o mundo até hoje nunca talvez tenha
oferecido exemplo, e cuja possibilidade de execução poderia ser posta fortemente em
dúvida por aquele mesmo que tudo fundamenta sobre a experiência, são prescritas sem
remissão alguma pela razão. Por exemplo, a pura lealdade na amizade, embora até ao
presente não tenha existido nenhum amigo leal, e imposta a todo homem
essencialmente,.pelo fato de tal dever estar implicado..como dever em geral,
anteriormente a toda experiência, na idéia de uma razão que determina a vontade
segundo princípios
apriori.
Acrescente-se que, a não ser que se conteste ao conceito moral toda verdade e toda
relação com qualquer objeto possível, não se pode desconhecer que a lei moral possua
um significado a tal ponto extenso que deva ser válida não só para os homens, mas para
todos os seres racionais em geral,
eisto não só debaixo de condiçõescontingentes e
com exceções, mas
de maneira absolutamente necessária;
assim sendo, manifesto que
nenhuma experiência pode levar à. conclusão da simples possibilidade de tais leis
apodícticas. Pois, com que direito poderemos converter em objeto de respeito ilimitado,
em prescrição universal para toda natureza racional, o que [talvez não vale senão para as
condições contingentes da humanidade ? E como é que as leis de determinação de
nossa
vontade deveriam ser tomadas como leis de determinação da vontade do ser racional em
geral e, apenas nessa qualidade, como leis igualmente aplicáveis à nossa própria
vontade, se elasfossem puramente empíricas, e não derivassem sua origem
completamente
apriori
de uma razão pura, mais pratica ?
Além disso, não se poderia prestar pior serviço à moralidade, do que fazê-la derivar de
exemplos. Porque todo exemplo, que me seja proposto, deve primeiramente ser julgado
segundo os princípios da moralidade, para se poder saber se merece servir de exemplo
original, isto é, de modelo; mas não pode, por forma alguma, fornecer por si só, e
primariamente, o conceito de moralidade. Mesmo o Justo doEvangelho deve ser
primeiramente confrontado com o nosso ideal deperfeição moral, para que possa ser
reconhecido como tal; por isso, ele diz de si mesmo: "Por que me chamais bom (a mim
que vedes) ? Ninguém é bom (o protótipo do bem) senão (409) Deus (a quem não
vedes)". Mas donde nos advém o conceito de Deus considerado como supremo bem ?
Unicamente da
idéia
que a razão traça
apriori
da perdição moral, e que ela liga
indissoluvelmenteao conceito de uma vontade livre. Em matéria moral não tem
cabimento a imitação, e os exemplos servem apenas de estímulo, isto é, põem fora de
dúvida a {possibilidade daquilo que a lei impõe, tornam evidente aquilo que a lei prática
exprime demodo mais geral; mas nunca logram autorizar que ponhamos de parte o seu
verdadeiro original, que reside na razão,e que regulemos por eles o nosso
procedimento.
Portanto, se não há nenhum autêntico princípio supremo de moralidade, que não deva
apoiar-se unicamente na razão pura, independentemente de toda experiência, penso não
ser sequer necessário perguntar se vale a pena expor estes conceitos sob forma universal
(in abstracto).
tais como existem
apriori,
juntamente com os princípios que lhes dizem
respeito, dado que o conhecimento propriamente dito deve distinguir-se do
conhecimento vulgar e denominar-se filosófico. Mas, em nossos dias, talvez seja
necessário pôr esta questão. Com efeito, se se procedesse a uma votação para averiguar
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qual deva ser preferido, seo conhecimento racional puro isento de todo elemento
empírico, e portanto a metafísica dos costumes, ou se a filosofia prática popular,
depressa se descobriria para que lado pende a balança.
De fato, é muito louvável este processo de descer aos conceitos populares, contanto que
primeiro nós tenhamos elevado aos princípios da razão pura, de modo que o espírito
quede plenamente satisfeito. Proceder deste modoequivale a
fundamentar
adoutrina
dos costumes sobre uma metafísica, e, depois de esta ter sido firmada em base sólida, a.
torná-la
acessível
atodos, por meio da vulgarização. Mas seria extremamente absurdo
aquiescer com este processo de agir desde as primeiras investigações, das quais depende
aexatidão dos princípios. Tal maneira de proceder jamais poderia pretender para si o
mérito extremamente raro de uma verdadeira
vulgarização filosófica,
porque, de fato,
não é difícil fazer-se compreender do comum dos homens, quando para isso se renuncia
atoda profundidade de pensamento; mas redundaria em fastidiosa mescla de
observações a trouxe-mouxe amontoadas e de princípios de uma razão só a meias
raciocinante, na qual somente cérebros vazios se repastam, porque, apesar de tudo, há aí
alguma coisa de útil para os bate-papos de todos os dias; mas os espíritos clarividentes
só encontram aí confusão, e insatisfeitos, sem saberem quepartido tomar, desviam a
(410) atenção. Quanto aos filósofos, que não se deixam iludir por aparências enganosas,
esses não desfrutam de grande aceitação, sempre que se propõem suspender, por um
tempo, a pretensa vulgarização, a fim de poderem com direito tornar-se populares, só
depois de haverem obtido conhecimentos bem definidos.
Basta examinar ao de leve as obras de moral compostas em conformidade com aquele
gosto preferido, para nelas se encontrar ora a idéia do destino peculiar da natureza
humana (de quando em quando, aparece também a idéia de uma natureza racional em
geral), ora a perfeição, ora a felicidade; aqui,
o
sentimento moral, ali, o temor de Deus;
um pouco disto e também um pouco daquilo, em maravilhosa confusão, sem que ao
espírito ocorra perguntar se é propriamente no conhecimento da humana natureza (que,
decerto, não pode provir senão da experiência) que se devem procurar os princípios da
moralidade. Se assim nãofor, se estes princípios devem ser encontrados completamente
apriori,
independentemente de toda matéria empírica, e só nos puros conceitos da razão
eem nenhuma outra parte, mesmo assim a ninguém ocorre a idéia de isolar
completamente esta investigação, para considerá-la como pura filosofia prática (ou, se é
lícito empregar um nome tão suspeito), como Metafísica (*) dos costumes, como nem a
idéia de desenvolvê-la até ser cabalmente perfeita e de exortar o público, ávido de
vulgarização, que contemporize até a empresa ser levada a bom termo.
(*) Do mesmo modo que se distingue a matemática pura da matemática aplicada,
e a lógica pura da lógica aplicada, também, se quisermos, é possível distinguir a
filosofia pura dos costumes (Metafísica) da filosofia dos costumesaplicada (á
natureza humana). Toda esta terminologia nos mostra imediata- mente que os
princípios moraisnão devem ser fundadossobre as propriedadesdanatureza humana, mas
devemexistir por si mesmos
apriori;'e
que de taisprincípios é que devem serderivadas regras
práticasválidaspara toda natureza racional, e portanto também para a natureza humana.
Ora, uma tal metafísica dos costumes completamente isolada, não imiscuída de
antropologia, nem de teologia, nem de física ou de hiperfísica menos ainda de quaisquer
qualidades ocultas (que se poderiam denominar hipofísicas), não é apenas o
indispensável substrato de toda teoria dos deveres claramente definida, mas é
igualmente um desiderato da mais alta importância para o cumprimento efetivo de suas
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prescrições. Com eleito, a representação do dever, e em geral da lei moral, quando é
pura, ou seja, não mesclada de acréscimos estranhos de impulsos sensíveis, exerce sobre
ocoração humano, por via da só razão (a qual então, pela primeira vez, se dá conta de
que pode ser prática por si mesma) uma influência muito mais eficaz do que a de todos
os outros (411) impulsos (*) que se podem invocar no domínio da experiência, de sorte
que a razão, cônscia de sua dignidade, despreza esses impulsos e pouco a pouco se torna
capaz de os dominar. Ao invés, uma doutrina moral bastarda e confusa, formada de
impulsos derivados de sentimentos e de inclinações, e ao mesmo tempo de conceitos da
razão, torna necessariamente o espírito hesitante entre motivos de ação irredutíveis a
qualquer princípio, e que só por acaso podem guiar ao bem, mas muitas vezes também
podem conduzir ao mal.
(*) Tenho uma carta do falecido Sulzer(8-1), na qual me pergunta por que motivo as doutrinas
da virtude, por maisconvincentesque possam ser para a razão, possuem tão pouca eficácia.
Adiei a resposta, para que esta pudesse sair completa. Aresposta é só uma, a saber: aqueles
mesmosque ensinam taisdoutrinasnão reconduziram seus princípios ao estado de pureza e,
querendo procedei demasiado bem, enquanto procuram principalmente motivosque incitemao
bem moral,a fimde tornarem o remédio maisenérgico, o estragam. Consoante o mostra a mais
comezinha observação, se se apresentar umato de probidade, imune de iodo fiminteressado
neste mundo ou no outro, praticado por umAnimo corajoso no meio das maiorestentações,
provocadaspela miséria ou pelo atrativo de certas vantagens, ele deixa atrásde si e eclipsa
qualquer outro ato análogo,que tambémsó emmínima escala haja sido causado por umimpulso
estranho; ele eleva a alma e excita o desejo de proceder do mesmo modo. Até mesmo crianças
de meia idade experimentamesta impressão, o penso que nunca osdevereslhesdeviam ser
expostossenão desta maneira.
De quanto precede ressalta que todos; os conceitos morais têm sua sede e origem
completamente
apriori
na razão, na razão humana mais comum tanto quanto na razão
que se eleva ao alto grau de especulação; que eles não podem ser abstraídos de nenhum
conhecimento empírico, e, por conseguinte puramente contingente que a pureza de sua
origem é justamente o que os torna dignos de servirem de princípios práticossupremos;
que quanto mais se lhes acrescenta de empírico, tanto maisdiminui sua verdadeira
influência e o valor absoluto das ações; que não é só exigência da mais premente
necessidade, do ponto de vista teórico, em que se trata tão-somente de especulação, mas
que é ainda da maior importância prática criar estes conceitos e estas leis, tirando-os da
razão pura, sem mescla de qualquer espécie;e mais ainda, determinar o âmbito de todos
estes conhecimentos racionais práticos ou puros, isto é, determinar todo o poder da
razão pura prática, abstendo-se, contudo (na medida em que a filosofia especulativa o
permita e mesmo, por vezes, encontre necessário) de fazer depender tais princípios da
natureza especial da razão humana; mas, antes já (412) que as leis morais devem ser
válidas para todo ser racional em geral, deduzindo-as do conceito universal de um ser
racional em geral. Deste modo, toda a moral, que em sua
aplicação
àhumanidade
precisa da antropologia, será exposta, independentemente desta última ciência, como
filosofia pura, isto é, como metafísica, e isto de modo completo (o que é fácil de fazer
neste gênero de conhecimento inteiramente separado). E convém ter presente que, sem
estar de posse desta metafísica, é trabalho inútil, não digo o determinar exatamente por
meio do juízo especulativo o elemento moral do dever em tudo o que é conforme ao
dever; mas que é impossível, em tudo o que concerne puramente ao uso comum e
prático, e particularmente à instrução moral, fundamentar a moralidade sobre seus
verdadeiros princípios, produzir, mediante ela, sentimentos morais puros e infundi-los
nas almas, para que daí redunde omaior bem no mundo.
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Ora, para progredir neste trabalho, avançando por gradações naturais, não simplesmente
do juízo moral comum (aqui muito apreciável) ao juízo filosófico, como já foi indicado,
mas de uma filosofia popular, que não vai mais além do que ela pode alcançar as
apalpadelas por meio de exemplos, até à metafísica. (que não se deixa deter por
nenhuma influência empírica, e que, devendo medir todo o domínio do conhecimento
racional desta espécie, se ergue, em todo caso, até à região das Idéias, onde os próprios
exemplos nos abandonam), importa seguir e expor claramente a potência prática da
razão, partindo das suas regras universais de determinação até ao ponto em que dela
brota o conceito do dever.
Todas as coisas na natureza operam segundo leis. Apenas um ser racional possui a
faculdade de agir
segundo a representação
das leis, isto é, segundo princípios, ou, por
outras palavras, só elepossui uma
vontade.
E, uma vez que, para das leis derivar as
ações, é necessária a
razão,
avontade outra coisa não é senão a razão prática. Quando,
num ser, a razão determina infalivelmente a vontade, as ações deste ser, que são
Reconhecidas objetivamente necessárias, são necessárias também subjetivamente; quer
dizer que então a vontade é uma faculdade de escolher
somente aquilo
que a razão,
independentemente de toda inclinação, reconhece como praticamente necessário, isto
é,
como bom. Mas se a razão não determina suficientemente por si só a vontade, se esta é
ainda subordinada (413) a condições subjetivas (ou a certos impulsos) que nem sempre
concordam com as condições objetivas; numa palavra, se a vontade não é
cm si
completamente conforme à razão (como acontece realmente com os homens), então as
ações reconhecidas necessárias objetivamente são subjetivamente contingentes, e a
determinação de uma tal vontade conformemente a leis objetivas é uma
coação
;por
outras palavras, a relação das leis objetivas com uma vontade não completamente boa é
representada como sendo a determinação da vontade de um ser racional por meio de
princípios da razão, aos quais entanto aquela vontade, mercê de sua natureza, não é|
necessariamente dócil.
Arepresentação de um princípio objetivo, na medida em que coage a vontade,
denomina-se mandamento (da razão), e a fórmula do mandamento chama-se
IMPERATIVO
.
Todos os imperativos são expressos pelo verbo
(dever
eindicam, por esse modo, a
relação entre uma lei objetiva da razão e uma vontade que, por sua constituição
subjetiva, não é necessariamente determinada por essa lei (uma coação)- Declaram
eles, que seria bom fazer tal coisa ou abster-se dela, mas declaram-no a uma vontade
que nem sempre faz uma coisa, porque lhe é apresentada como boa para ser feita.
Portanto, praticamente é
bom
oque determina a vontade por meio de representações da
razão, isto é, não em virtude de causas subjetivas, mas objetivamente, quer dizer por
meio de princípios que são válidos para todo ser racional enquanto tal. O bem prático é,
pois, distinto do
agradável,
isto é, do que exerce influxo sobre a vontade unicamente
por meio da sensação, por causas puramente subjetivas, válidas apenas para a
sensibilidade deste e daquele, e não como princípio da razão, válido para todos (*).
Uma vontade perfeitamente boa estaria, pois, tão (414) sujeita ao império de leis
objetivas (leis do bem) quanto uma vontade imperfeita; mas nem por isso poderia ser
representada como
coagida
aações conformes à lei, porque, mercê de sua constituição
subjetiva, ela só pode ser determinada pela representação do bem. Eis por que não há
imperativo válido para a vontade
divina,
eem geral para uma vontade
santa;
o
dever
não tem aqui cabimento, porque o
querer
já por si é necessariamente concorde com a
lei. Por isso, os imperativos são apenas fórmulas que exprimem a relação entreas leis
objetivas do querer em geral e a imperfeição subjetiva da vontade deste ou daquele ser
racional, por exemplo, da vontade humana.
.
(*) A dependência da faculdade apetitiva a respeito de sensações denomina-se
inclinação,
e, por conseguinte, esta é sempre prova de uma
necessidade.
A
dependência de uma vontade, capaz de ser determinada de modo contingente
pelos princípios da razão, chama-se
interesse.
Ointeresse encontra-se, pois, tão-
somente numa vontade dependente, a qual não
é
por si mesma sempre conforme
àrazão; na vontade divina é impossível conceber qualquer interesse. Mas
também a vontade humana pode
tomar interesse
por uma coisa, sem por isso
agir por interesse. A
primeira expressão significa o interesse
prático
pela ação; a
segunda, o interesse
patológico
pelo objeto da ação. A primeira indica apenasa
dependência da vontade a respeito dos princípios da razão em si mesma; a
segunda, a dependência da vontade a respeito dos princípios da razão posta ao
serviço da inclinação, no qual caso, a razão ministrasomente a regra prática para
poder satisfazer as necessidades da inclinação. No primeiro caso, interessa-me a
ação; no segundo, interessa-me o objeto da ação (na medida em que me é
agradável). Na Primeira Secção, verificamos que, numa ação executada, por
dever, importa considerar, não o interesse pelo objeto, mas unicamente o
Interesse pela própria ação e seu princípio racional (a lei).
Ora, todos os
Imperativos
preceituam ou
hipoteticamente
ou
categoricamente.
Os
imperativos hipotéticos representam a necessidade de uma ação possível, como meio
para alcançar alguma outra coisa que se pretende (ou que, pelo menos, é possível que se
pretenda)
.
Oimperativo categórico seria aquele que representa uma ação como
necessária por si mesma, sem relação com nenhum outro escopo, como objetivamente
necessária.
.
Dado que toda lei prática representa uma ação possível como boa é, conseguintemente,
como necessária para um sujeito capaz de ser determinado praticamente pela razão,
todos os imperativos são fórmulas, pelas quais é determinada a ação que, segundo os
princípios de uma vontade de qualquer modo boa, é necessária. Ora, quando a ação
não é boa senão comomeio de obter
alguma outra coisa ,
oimperativo é
hipotético;
mas, quando a ação é representada como boa e
msi,
eportanto como necessária numa
vontade conforme em si mesma a razão considerada como princípio do querer, então o
imperativo é
categórico.
Oimperativo indica, pois, qual ação, para mim possível. Iseria boa, e representa a regra
prática em relação com uma vontade que não executa imediatamente urna ação porque é
boa, em parte porque o sujeito não sabe sempre se ela é boa, e, em parte, porque,
mesmo que o soubesse, suas máximas poderiam, não obstante, ser contrárias aos
'princípios objetivos de uma razão prática.
(415) O imperativo hipotético significa, portanto, apenas, que a ação é boa com relação
aum escopo
possível
ou
real.
No primeiro caso, é um princípio
PROBLEMÀTICAMENTE
prático; no segundo caso, é um princípio
ASSERT
O
RICAM
E
NTE
prático. Pelo contrário, o
imperativo categórico, que declara a ação como objetivamente necessária por si mesma,
sem relação com algum fim, isto é, sem qualquer outro fim, tem o valor de princípio
APODÍCTICAMENTE
prático.
Podemos imaginar que tudo quanto é possível apenas pelas forças de algum ser racional
étambém um escopo possível para qualquer vontade; por isso, os princípios da ação,
enquanto esta é representada como necessária para a aquisição de algum fim possível,
susceptível de ser por ela realizado, são, de fato, infinitos em número- Todas as ciências
têm uma parte prática, constante de problemas que supõem que qualquer fim é possível
para nós, ede imperativos que indicam como tais fins podem ser alcançados. Estes
imperativos podem, por isso, chamar-se em geral imperativos da
HABILIDADE
.Não se
trata, neste caso, de saber se o escopo é racional e bom, mas só de saber o que se deve
fazer para o alcançar. As prescrições que um médico segue para curar radicalmente o
seu enfermo, e as do envenenador para o matar seguramente, têm igual valor, na medida
em que umas e outras servem para realizar perfeitamente o escopo que se tem em vista.
Como nos primeiros anos da juventude ignoramos as surpresas que a vida nos reserva
no porvir, os pais empenham-se principalmente em que os filhos aprendam
quantidade
de coisas diversas,
ecuidam em que eles se tornem
hábeis
no uso dos meios necessários
para alcançarem toda sorte de fins
desejáveis.
São eles incapazes de saber se algum
desses fins virá a ser, mais tarde, realmente desejado por seus filhos, mas
êpossível
que
isso aconteça um dia; e esta preocupação é tão grave, que eles comumente se descuidam
de formar e corrigir o juízo dos filhos acerca do valor das coisas que estes poderiam
propor-se como fins.
Há todavia
um
escopo, que se pode supor real para todos os seres racionais (na medida
em que os imperativos se aplicam a estes seres considerados como dependentes);
portanto, um escopo que eles não só
podem
propor-se, mas do qual se pode certamente
admitir que todos o propõem a si
efetivamente,
em virtude de uma necessidade natural, e
este escopo é a
felicidade.
Oimperativo categórico, que apresenta a necessidade prática
da ação como meio para alcançar a felicidade, é
ASSERTÓRIO
.Não podemos apresentá-lo
simplesmente tomo indispensável à realização de um fim incerto, puramente possível,
mas de um fim que se pode seguramente e
apriori
supor em todos os homens, porque
faz parte da natureza (416) deles. Pode dar-se o nome de
prudência
(*), com a condição
de tomar este vocábulo em seu mais estrito significado! à habilidade em escolher os
meios que nos proporcionam maior bem-estar. Sendo assim, o imperativo que se refere
àescolha dos meios capazes de assegurar nossa felicidade pessoal, isto é, a prescrição
da prudência, é sempre
hipotético;
aação é ordenada, não de modo absoluto, mas só
como meio de alcançar outro escopo.
(*) A palavra
prudência
étomada emduplo sentido: no primeiro sentido, designa a prudência
nasrelaçõesque lemoscomo mundo; no segundo sentido,a prudência pessoal. Aprimeira
indica a habilidade que umhomempossui de aluar sobre outros,para deles se servir em
benefício de seusfins. A segunda é a sagacidade emfazer convergirestes fins para sua vantagem
pessoal e estável.Aesta última se reduz propriamente o valor da primeira; e daquele que é
prudente no primeiro sentido,não o sendo no segundo,com melhor razão se diria (pie é
engenhosoe astuto, mas,em suma, imprudente.
Enfim, há um imperativo que, sem assentar como condição fundamental a obtenção de
um escopo, ordena imediatamente este procedimento. Tal imperativo é
CATEGÓRICO
.
Diz respeito, não à matéria da ação, nem às conseqüências que dela possam redundar,
mas à forma e ao princípio donde ela resulta; donde, o que no ato há de essencialmente
bom consiste na intenção, sejam quais forem as conseqüências. A este imperativo pode
dar-se o nome de
IMPERATIVO DAMORALIDADE
.
Oato de querer segundo estas três espécies de princípios é ainda claramente
especificado pela
diferença
que existe no gênero de coação por eles exercida sobre a
vontade. Para tornar sensível esta diferença, penso não haver maneira mais apropriada
de os designar em sua ordem do que dizendo: tais princípios são ou
regras
da
habilidade, ou
conselhos
da prudência, ou
ordenações (leis)
da moralidade. De fato, só a
lei
implica em si o conceito de
necessidade incondicionada,
verdadeiramente objetiva e,
conseqüentemente, válida para todos, e as ordenações são leis a que é mister obedecer,
isto é, devem ser seguidas, mesmo quando contrariam a inclinação. Os
conselhos
implicam, sem dúvida, uma necessidade, mas uma necessidade só válida sob uma
condição subjetiva contingente, consoante este ou aquele homem considera esta ou
aquela coisa como parte de sua felicidade; ao invés, o imperativo categórico não é
limitado por nenhuma condição, e como é absolutamente, embora praticamente,
necessário, pode propriamente ser denominado prescrição. Aos imperativos da primeira
espécie podemos ainda dar o nome de
técnicos
(417) (referentes à arte); aos da segunda
espécie, o de
pragmáticos
(*) (referentes ao bem-estar); aos da terceira espécie, o de
morais
(referentes ao livre comportamento em geral, isto é, aos costumes).
(*) Parece-me que o significado próprioda palavra
pragmático
pode ser exatamente determinado
deste modo. Com efeito, chamam-se pragmáticasas
sanções
que não derivampropriamente do
direito dosEstadoscomo leis necessárias, massim da
solicitude
pelo bem-estar geral. Uma
história è
composta pragmaticamente,quando nos torna prudentes, isto é,quando ensina à
sociedade hodierna os meios de cuidaremde seusinteresses melhor ou, pelo menos,tão bem
como a sociedade de outrostempos.
Apresenta-se aqui a questão: como são possíveis todos estes imperativos ? Esta questão
visa a indagar a maneira de imaginar, não o cumprimento da ação que o imperativo
ordena, mas tão-somente a coação da vontade que o imperativo exprime, na tarefa que
propõe. Como seja possível um imperativo da habilidade, é coisa que decerto não requer
peculiar explicação. Quem quer o fim, quer também (na medida em que a razão tem
influxo decisivo sobre suas ações) os meios indispensàvelmente necessários de o
alcançar, e que estão em seu poder. Esta proposição é, no que respeita ao querer,
analítica, porque o ato de querer um objeto, efeito de minha atividade, supõe já a minha
causalidade, como causalidade de uma causa agente, isto é, o uso dos meios; e o
imperativo extrai, do conceito da volição de um fim, a idéia das ações necessárias para
chegar a esse fim (sem dúvida, para determinar os meios aptos para alcançar um escopo
prefixado, são absolutamente exigidas proposições sintéticas, mas estas referem-se ao
princípio de realização, não do ato da vontade, mas do objeto). Que para dividir,
segundo um princípio certo, uma linha reta em duas partes iguais, eu deva traçar desde
as extremidades desta linha dois arcos de círculo, a matemática o ensina unicamente por
meio de proposições sintéticas; mas que, sabendo que por este processo só se obtém o
objeto proposto, eu, querendo plenamente o efeito, deva querer igualmente a ação por
ele exigida, é uma proposição analítica; pois que, representar-me uma coisa como um
efeito que eu posso produzir de certo modo, e representar-me a mim mesmo, em relação
aesse efeito, como agindo do mesmo modo, é, de fato, uma e a mesma coisa.
Os imperativos da prudência concordariam plenamente com os da habilidade, e seriam
igualmente analíticos, sei fosse fácil dar um conceito determinado da felicidade. Pois
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