free asp. net mvc pdf viewer : Convert pdf to searchable text Library control class asp.net azure web page ajax MarianneCM_DISSERT10-part337

100 
A sala do berçário I  é bastante espaçosa, bem iluminada e com boa circulação 
de  ar.  Dentro  da  sala,  há  uma  mesa  pequena  de  apoio  para  as  professoras  com  os 
copos das crianças e uma garrafa térmica grande com água.  Esta mesa fica embaixo 
de uma janela identificada como 
“janela passa
-
prato” (MARANHÃO, 1998, p.70) que dá 
acesso ao lactário localizado entre os dois berçários. Sua função é possibilitar que as 
refeições das crianças sejam  passadas para a sala sem que as professoras precisem 
se  ausentar  ou  caminhar  com  bandejas  por  entre  as  crianças,  o  que  pode  causar 
acidentes.  
Figura 2 
Janela Passa-Pratos 
No espaço, há um canto onde ficam as bolsas que as crianças trazem de casa 
com  os pertences  que serão  utilizados naquele dia  e  uma caixa  onde  são colocados 
seus  sapatos logo  que chegam.  Em  outra  extremidade,  há  uma área com espelhos e 
colchões, onde há brinquedos acolchoados em forma de animais (um jacaré, blocos e 
um  cavalo)
.  Esse  “canto”  dos  espelhos  é um  dos  favoritos  das  crianças
.  Lá,  elas  se 
olham, se descobrem, se deitam, se tocam.  
Convert pdf to searchable text - SDK software API:C# PDF Convert to Text SDK: Convert PDF to txt files in C#.net, ASP.NET MVC, WinForms, WPF application
C# PDF to Text (TXT) Converting Library to Convert PDF to Text
www.rasteredge.com
Convert pdf to searchable text - SDK software API:VB.NET PDF Convert to Text SDK: Convert PDF to txt files in vb.net, ASP.NET MVC, WinForms, WPF application
VB.NET Guide and Sample Codes to Convert PDF to Text in .NET Project
www.rasteredge.com
101 
Figura 3 
Canto em L com espelhos  
e acolchoados 
Há, ainda, na sala, um grande bloco quadrado acolchoado com blocos menores 
dentro, também acolchoados. Segundo uma das professoras, no início do ano os bebês 
ficam muito tempo nesse quadrado, pois podem ficar sentados e, se escorregarem para 
as laterais não correm o risco de se machucarem.  
Outro lugar onde observamos que as crianças gostam de estar e brincar é perto 
do  armário  das  professoras,  quando  o  mesmo  encontra-se  aberto  e  elas  podem 
explorar revistas e jogos. Também brincam debaixo dos berços que se localizam perto 
desse armário, experimentando as possibilidades do espaço e de seus corpos.  
Figura 4 
Quadrado Acolchoado 
O espaço conta com brinquedos grandes, como  cavalinhos de plástico para as 
crianças se balançarem e velocípedes e uma casinha feita pelas professoras que serve 
de teatro ou para as crianças brincarem.  
SDK software API:Online Convert PDF to Text file. Best free online PDF txt
PDF document conversion SDK provides reliable and effective .NET solution for Visual C# developers to convert PDF document to editable & searchable text file.
www.rasteredge.com
SDK software API:VB.NET Image: Robust OCR Recognition SDK for VB.NET, .NET Image
more companies are trying to convert printed business on artificial intelligence to extract text from documents will be outputted as searchable PDF, PDF/A,TXT
www.rasteredge.com
102 
Figura 5 
Canto com brinquedos  
grandes e brinquedos em prateleiras altas 
Nas  paredes  não  há  muita  decoração,  apenas  no  canto  dos  espelhos  é  que 
existem  painéis  com  fotos  referentes  a  temas  explorados  com  as  crianças  como  a 
contação de histórias com marionetes, o circuito de atividades (a rotina) e fotos deles no 
parque. Essas imagens ficam localizadas muito acima da altura do olhar das crianças e 
as professoras justificam que se ficarem mais abaixo, 
elas rasgam tudo
”. 
A sala é  muito ampla, no início do ano todos  os  berços ficam  montados,  já ao 
final do ano, com as crianças estando um pouco maiores, as professoras utilizam mais 
os colchões no chão, sendo alguns berços desmontados. Na hora do repouso, poucas 
crianças  dormem  nos  berços,  apenas  aqueles  mais  “agitados”
para  que  não 
incomodem as outras crianças que adormecem mais rápido. 
Os colchões ficam empilhados  dentro de um dos berços,  bem como o túnel de 
tecido, a casinha e as caixas  com brinquedos  diversos. As crianças só têm acesso a 
esses  materiais  quando  as  professoras  os  disponibilizam.  Nas  caixas  há  brinquedos 
como blocos, bonecas, carros. Quando são disponibilizados, os meninos e as meninas 
interessam-se  não  apenas  pelo conteúdo das  caixas, mas  pelas  próprias  caixas,  nas 
quais brincam de subir, entrar, empilhar e empurrar.  
SDK software API:C# Create PDF Library SDK to convert PDF from other file formats
The PDF document file created by RasterEdge C# PDF document creator library is searchable and can be fully populated with editable text and graphics
www.rasteredge.com
SDK software API:VB.NET PDF Convert to HTML SDK: Convert PDF to html files in vb.
Why do we need to convert PDF document to HTML webpage One is that compared with HTML file, PDF file (a not be easily edited), is less searchable for search
www.rasteredge.com
103 
Figura 6 
Arrumação dos berços 
na sala 
Desse modo, as crianças dependem sempre dos adultos para terem acesso aos 
brinquedos (nas caixas) ou às figuras (das paredes). E, como estes nem sempre estão 
disponíveis 
até  mesmo  porque  regulados  pela  rotina 
as  crianças  ficam 
impossibilitadas  de  interagir  com  esses  objetos  de  forma  mais  autônoma,  de  acordo 
com  o  seu  interesse.  Para  Maranhão  (1998,  p.71),  a  maneira  como  o  espaço  está 
organizado  “
acaba  exigindo  do  adulto  uma  disponibilidade  que  nem  sempre  existe, 
desgastando-o  e  levando-o  à  conclusão  de  que  os  cuidados  demandados  pelas 
crianças pequenas impedem o desenvolvimento do projeto educativo
”. 
Existem,  ainda,  na  sala,  dois  cadeirões  de  comer  para  bebês  e  cadeirinhas 
pequenas que são utilizadas nos momentos de refeições. Nesses momentos, os pratos 
das crianças ficam na mesa de apoio e no colo das professoras. 
O banheiro, como já descrevemos, fica no mesmo espaço do berçário e também 
é utilizado pelo berçário II. Era frequente, durante as nossas observações, as crianças 
ficarem apoiadas na grade que fica na porta de acesso à sala. Essa grade divide a sala 
e  o  banheiro  e  as  crianças  gostavam  de  ficar  observando  toda  a  movimentação  que 
acontecia  ali.  Havia  momentos  em  que  a  grade  ficava 
“congestiona
da
” 
exigindo  a 
interferência  de  uma  professora.  Essa  preferência  deixa  pistas  de  que  não  havendo 
outras  situações  que  despertassem  seu  interesse,  as  crianças  tinham  sua  atenção 
captada  pelos  sons da  água,  pelos  movimentos  e  sons produzidos por  professoras  e 
crianças  que  estavam  sendo  trocadas.  Assim,  as  crianças  inventam,  produzem 
novidades, inventam a partir do que lhes é possibilitado. Numa sala com muitos cantos 
SDK software API:C# PDF Convert to HTML SDK: Convert PDF to html files in C#.net
library also makes PDF document visible and searchable on the Internet by converting PDF document file to Use C#.NET Demo Code to Convert PDF Document to
www.rasteredge.com
SDK software API:C# PDF: C# Code to Draw Text and Graphics on PDF Document
Draw and write searchable text on PDF file by C# code in both Web and Windows applications. C#.NET PDF Document Drawing Application.
www.rasteredge.com
104 
 com  materiais 
nem  sempre  disponíveis 
 canto  preferido  é  “a  vista”  para  o 
banheiro. Mas, poderiam ser outras vistas, mais desafiadoras,  mais  potencializadoras 
de aprendizagens, se oferecidas outras oportunidades. 
Desse modo, nos contextos da rotina, é justamente quando esta não inclui uma 
atividade  que  as  crianças  podem  agir  de  modo  inventivo,  sendo  atendidas  em  suas 
especificidades,  podendo  estar  inteiras,  podendo  criar  novos  modos  de  ação  não 
dados, mas a partir dos já dados. Essas situações poderiam ser exploradas, mediante o 
apontamento,  o  questionamento,  a  nomeação  das  pessoas,  das  ações,  dos  objetos. 
Mas, como não compõem a rotina,  como não são iniciativa das professoras, não lhes 
desperta  atenção.  As  crianças,  embora  possam  exercer  sua  capacidade  de  criar, 
dependem também dos adultos para ir além. 
O  modo  como  os berços, os  mobiliários  e demais  materiais  estão  organizados 
também  interfere  no  cuidado  e  na  interação  entre  bebês,  crianças  pequenas  e 
professores.  Carvalho  e  Rubiano  (2001)  apontam  que  quando  o  berçário  está 
organizado  em  áreas  semiabertas,  com  berços,  cuja  altura  permite  às  crianças 
certificarem-se,  pelo  olhar,  da  presença  do  adulto,  as  relações  de  interação  entre 
bebês, crianças e todos os envolvidos são favorecidos.  
Os cantos de interesse proporcionados pela organização de brinquedos e 
matérias, como casinhas de bonecas, barracas, escorregador, caixas de 
areia, caixas e cabides com fantasias, garagens para carrinhos, lugares 
para subir, descer, entrar, sair, túneis para passar engatinhando e outras 
brincadeiras,  favorecem que um pequeno  número  de  bebês e crianças 
pequenas se reúnam em torno de uma zona estruturada de  atividades. 
Assim,  a  disposição  dos  berços,  tapetes,  a  decoração  das  paredes  e 
tetos ou mesmo a ausência destes, revelam um cuidado com os bebês e 
crianças pequenas. (MARANHÃO, 1998, p.72) 
Além do espaço da sala, as crianças do Berçário, podem se utilizar também da 
área externa do CMEI onde há brinquedos grandes
10
, areia, chuveiro e, em alguns dias, 
uma  piscina  desmontável.  Nos  dias  mais  quentes  ou  mesmo  nos  dias  em  que  as 
10
Entende-se por  brinquedos  grandes  aqueles  brinquedos  encontrados  em  playground,  uma  casinha, 
carro, brinquedo em que várias crianças podiam sentar para girar, escorrego. 
SDK software API:VB.NET PDF Convert to Word SDK: Convert PDF to Word library in vb.
Convert PDF to Word in both .NET WinForms and ASP.NET webpage. Create high quality Word documents from both scanned PDF and searchable PDF files without losing
www.rasteredge.com
SDK software API:C# HTML5 Viewer: Load, View, Convert, Annotate and Edit Word
C# users can convert Convert Microsoft Office Word to searchable PDF online, create multi to add annotations to Word, such as add text annotations to
www.rasteredge.com
105 
crianças brincavam primeiro com areia, o banho acontecia no chuveiro de fora. Nesses 
momentos 
não  rotineiros 
as  crianças  se  divertiam  e  interagiam  bastante, 
possibilitadas pelo fato de estarem todas e no mesmo momento, diferente de quando o 
banho  é  dado  no  banheiro  em  que  a  professora  leva  cada  criança  individualmente. 
Essa área é utilizada apenas pelas crianças dos berçários I e II. Em vários momentos 
também  não  rotineiros 
os  berçários  dividem  a  área  ao  mesmo  tempo  podendo  as 
crianças interagir entre si e com as professoras do outro grupo. 
Quando as  crianças utilizavam  esse espaço,  a dinâmica era  mais  tranquila do 
que quando brincavam em sala. Cada criança tinha mais liberdade de escolher o que 
fazer em uma área grande e cheia de possibilidades a serem exploradas. Observamos 
que  até  mesmo  as  brigas,  mordidas  e  choros  tão  presentes  no  espaço  do  berçário, 
nesse  espaço eram  quase inexistentes, o que demonstra  que  a criação de  condições 
mais  adequadas  às  necessidades  e  possibilidades  das  crianças  as  envolve,  contém 
seus  impulsos  e  lhes  garante  condições  de  exercerem  suas  capacidades  inventivas. 
Esses  momentos  eram  aproveitados intensamente  pelas  crianças  para  explorar  seus 
movimentos, brincar mais livremente. Mas, para isso, elas dependem da decisão e ação 
das professoras. 
Faz parte das atribuições das professoras de Educação Infantil planejar e 
organizar  o  espaço  que  vai  ser  utilizado  pelas  crianças.  Um  espaço 
caloroso,  seguro,  que  desperte  a  imaginação,  a  criatividade,  a 
cooperação, a solidariedade e a autonomia das crianças é condição para 
que meninos e meninas vivam sua infância na instituição de educação de 
forma livre e espontânea. (TRISTÃO, 2004, p.93). 
As diferenças percebidas nas dinâmicas de relações e ações das crianças nos 
espaços  diversos  do  rotineiro  nos  fazem  pensar  que  o  espaço  na  instituição 
educacional exerce grande importância na organização do trabalho com as crianças e 
que  deveriam  ser  um  dos  aspectos  chave  na  organização  da rotina. Mas,  no  CEMEI 
observado, é a rotina que determina as possibilidades de o espaço ser explorado. Mas, 
como  nos  propõe  Tristão  (2004),  é  importante  que  pensemos  como  o  espaço  é 
determinante  das  relações  e  como  também  é  função  das  professoras  e  demais 
106 
profissionais  da  creche  pensá-lo  e  utilizá-lo  de  modo  que  se  constitua 
com  mais 
constância 
em  lugar  que  respeite  os  interesses  e  necessidades  manifestos 
desenvolvidos pelas crianças. (TRISTÃO, 2004, p.95). 
Mas, o  espaço  é feito de relações, assim  como o  modo como  as  relações são 
estabelecidas  constitui  o  espaço  como  rico,  ou  não,  em  possibilidades  de  que  as 
crianças  sejam  atendidas  em  suas  especificidades.  Isso  fica  claro  no  dia  em  que  as 
crianças participaram de um banho de piscina na área externa dos berçários junto com 
o berçário II.  
4.1.2.3 Atividades que compõem a rotina 
Momento do banho 1 
Na  rotina  diária  estão  previstos  dois  momentos  para  o  banho,  um  antes  do 
almoço e o outro antes do jantar, mas,  observamos muita flexibilidade nessa atividade 
que  acontece  de  acordo  com  as  necessidades  das  crianças 
quando  precisam  ser 
trocadas,  quando  se  mostram  incomodadas  com o calor,  o que  faz variar  os horários 
para  o  banho.  As  crianças  que  não  precisam  ser  trocadas  em  um  horário  fora  do 
planejado, tomam banho no momento reservado para tal. 
Hoje as crianças vão tomar banho de piscina. A professora B, que chegou um pouco 
atrasada, troca de roupa e leva a piscina para a área externa. A professora A e a professora C 
ficam na sala colocando calcinhas e cuecas nas crianças.  
Quando entram na piscina, as crianças se divertem, tomam banho, mergulham, deitam, 
gritam, mostram-se felizes. Como são crianças que já andam e possuem um maior equilíbrio, as 
professoras buscam uma bacia para o bebê e a coloca perto da piscina das crianças maiores  
para que o bebê possa participar do banho, embora com os devidos cuidados, já que, como as 
outras crianças são bem maiores, as brincadeiras podem machucar o bebê, bem como derrubá-
lo na água. O bebê fica muito à vontade e brinca bastante, grita, bate com as mãos na água. 
Uma das professoras entrega para ele um pote de margarina vazio para que ele possa brincar. 
As crianças maiores passam por ele, brincam e, ao mesmo tempo, respeitam aquele espaço 
107 
como  sendo  somente  do  bebê.  A  professora  me  diz  que  toda  terça  é  dia  de  piscina.  As 
professoras  interagem  com  as  crianças  e  entre  si,  conversam,  cantam,  brincam com  eles e 
avaliam o comportamento de determinadas crianças.  
09h00min 
As crianças que não querem mais tomar banho de piscina ficam livres para 
explorar/andar/brincar  em  toda  área  externa  sob  a  supervisão  e  acompanhamento  da 
professora C. As crianças vão para a areia, para a casinha, andam pelo terreno, todas com a 
professora  C  que  brinca  com  elas  e  está  sempre  conversando.    A  professora  C  mostra os 
passarinhos nos fios dos postes próximos à área em que se encontram, aponta formigas, pega 
folhas e fica atenta às crianças. (Diário de Campo, 09/11/2010). 
Essa  atividade  explicita  o  quão  é  possível  atender  e  respeitar  as  especificidades 
das crianças. A dependência do bebê em relação às professoras para ficar seguro foi 
atendida, ao mesmo tempo que foi respeitada sua capacidade de participar, dentro de 
suas  possibilidades, sendo perceptível a preocupação com o  bebê  para que  pudesse 
participar da atividade do banho com segurança e prazer como as demais crianças e, 
ao mesmo tempo, os modos como o bebê participou, comunicando, com movimentos, 
expressões, gritos, seu contentamento.  
A atuação das professoras junto a todas as crianças, possibilitando uma interação 
mais  estreita  e,  de  modo  especial,  da  professora  C  junto  ao  grupo  que  explorou  o 
espaço  além  da  piscina,  chamando  sua  atenção  para  coisas  do  contexto:  os 
passarinhos no fio, a folha, as formigas... Desse modo, insere as crianças na prática de 
“prestar atenção”, de observar o espaço que lhe rodeia, identificar elementos –
grandes 
e pequenos 
nomeá-los. 
Cabe ressaltar que o envolvimento desse profissional era diferenciado e irradiador 
da  possibilidade de  construção  de  um  trabalho  pedagógico  mais  significativo  para  as 
crianças. Essa professora mostrou-se sempre atenciosa, carinhosa e incentivadora das 
decisões das  crianças.  Em  sua  relação com  as crianças  via-se a  dialogicidade como 
sendo a essência da educação, como nos ensina Paulo Freire, 1996. 
Possibilitar o desenvolvimento da autonomia não é deixar as crianças largadas para 
fazerem o que quiserem e de qualquer forma ou, o que é ainda pior, deixar as crianças 
108 
sem qualquer tipo de mediação, lançadas à própria sorte; ao contrário, é estar junto se 
envolvendo  com  plena atenção  ao  mais  tênue  sinal de suas decisões e das  escolhas 
que realizam. Tais ações revelam, a um só tempo, que a criança é um ser humano em 
desenvolvimento  e  que  a  condição  para  a  autonomia  passa  pela  total  mediação  do 
adulto.  
O que percebemos nas interações da professora C com as crianças, principalmente 
nas  atividades em que  as  crianças tinham uma  maior oportunidade de exploração  do 
ambiente, dos diversos materiais e um contato maior com o grupo de crianças, é que, 
com  a  presença  atuante  do adulto  nas situações,  as  crianças  conseguiam  melhor se 
organizar em grupos para brincar e se relacionar, tanto no espaço da sala de referência 
como no espaço do parque. 
Momento do banho 2 
09h30min 
As  professoras  e  a  monitora  começam  a  organizar  as  crianças  para  o 
banho.  A professora B  pega as  toalhas;  o  banho  será realizado na  área  externa; as 
crianças  já  se  encontram  lá,  pois  estava  brincando  no  parque.  As  professoras  e  a 
monitora  combinam  entre  si  quem  vai  fazer  o  que.  A  monitora  vai  dar  o  banho,  a 
professora A vai ficar na sala para receber quem já tomou banho e pentear os cabelos e 
a professora B vai enxugar as crianças com a ajuda de uma ASG, que vai colocar as 
fraldas.  A  professora  B  enxuga  as  crianças  devagar,  com  carinho,  conversando, 
enquanto a ASG age de modo brusco, enxuga com força as crianças, desce-as as da 
mesa  puxando-as  por um dos  braços, coloca as fraldas, sem observar se estão bem 
colocadas, se estão incomodando alguma criança. Já a monitora, enquanto dá o banho, 
mostra-se atenciosa carinhosa com as crianças, conversa, deixa as crianças tentarem 
fazer sozinhas. Na sala, a professora A arruma as crianças, penteia os cabelos e passa 
perfume. Nesse momento, o som está ligado com músicas mais calmas e a professora 
também  disponibiliza  a  casinha  de  papelão  para  as  crianças  que  já  estão  prontas 
poderem brincar. É uma casinha de papelão toda decorada e muito  bem feita, dentro 
tem  um  colchão  e  as  crianças  adoram.  Eles  ficam  brincando  na  sala  até  as  outras 
crianças ficarem prontas e o almoço ser servido. 
109 
(Diário de Campo, dia 11/11/2010)
Refletindo  sobre  o  observado,  consideramos  que,  realizadas  desse  modo, 
mesmo  que  tenhamos  percebido  atitudes  respeitosas  e  carinhosas  por  parte  da 
professora e da monitora, o que diferentemente dos modos de agir da ASG, os banhos 
caracterizam-se, muito mais, pelo ato de limpar as crianças, dando pouca margem para 
que se configure, como é em nossa cultura, como momento de relaxamento, de prazer 
e ainda de cuidado da pessoa inteira e de educação, de aprendizagem. 
 banho,  como  todas  as  atividades  que  a  criança  realiza,  pode  ir  além  da 
limpeza. Segundo Búfalo (1997, p.49), o momento do banho pode, como conduzido de 
modo adequado às especificidades das crianças, propiciar 
um conhecimento do eu  e 
do  outro,  aspectos  que  são  fundamentais  para  o  crescimento  de  todo  ser  humano; 
necessidade  biológica  de  higiene  e necessidade  de  conhecimento;  afeição, aceitação 
de si e do outro
”. 
Essas  possibilidades  são  também  enfatizadas  por  Ávila  (2002)  quando,  ao 
observar  o  momento  do  banho  na  sua  pesquisa,  denominou  esse  momento  de  “
as 
trocas  sem  trocas
”, 
visto  que,  nos  momentos  de  trocas  de  roupa  das  crianças  havia 
uma grande ausência  de 
trocas
entre as crianças e os adultos definidas pela autora 
como: “
trocas culturais, afetivas e simbólicas
” (ÁVILA, 2002, p.82). 
Na  situação  observada, as  práticas  do  banho  consideram  e  não consideram a 
criança  inteira.  Algumas  professoras  conversam  enquanto  dão  banho  e  penteiam  as 
crianças,  indicando  o  reconhecimento  de  sua  presença  como  pessoa,  sujeito 
participante da situação, de diálogo, o que, por sua vez, cria a possibilidade de que sua 
identidade  possa  ser  constituída,  linguagens  possam,  ao  serem  compartilhadas, 
aprendidas. 
Mas, enquanto a  relação  se  processava assim com  a professora  e a monitora, 
com  a  outra  profissional,  não.  Age  bruscamente,  não  conversa,  não  interage 
verbalmente com as crianças fazendo com que suas ações assumam o caráter de uma 
“produção  em  série”  visando  tão  somente  a 
um  rendimento  mais  rápido  da  tarefa, 
considerando 
apenas  o  “produto”  e  não  o  processo.
 modo  mecanizado  e  pouco 
Documents you may be interested
Documents you may be interested